26 outubro 2010

O céu está em festa


Iria aproveitar que não tinha aula hoje fazer uma postagem bem bonitinha, mas acabei de ver que o Theo foi fazer companhia ao papai do céu.

Não existem palavras nessa hora, apenas a sensação de que ele veio e cumpriu sua missão, não só com sua família mas com todas nós, mamães que acompanhavam sua caminhada. E como disse a Aline, Theo está lá, brincando, rindo, sem dor, sem sofrimento!

Força e fé Aline!

21 outubro 2010

Minutos que valeram toda uma vida

Hoje mais um post do papai:

"Sabe minha filha, hoje acordei e pensei 'vai ser um dia normal, irei te levar para creche, o papai vai para a faculdade e só vamos nos ver a tarde, na hora em que eu irei te pegar na escolinha'. Pois bem, era para ser assim mas não foi, pois na noite passada você tossiu muito, e hoje quando acordei pensando que ia ser tudo igual, na hora me veio um pensamento de deixar você em casa e passarmos a quinta feira juntos. Como diz a música que você adora:

"brincar, dançar,saltar, correr, Meu Deus do Céu onde é que eu vim parar."

A mamãe foi para aula e nós ficamos assistindo o dvd do palavra cantada. Dançamos e cantamos e fizemos igual ao teletubies "de novo-de novo" e então repetimos o dvd, dançamos e cantamos tudo novamente. Depois brincamos com as bonecas, e quando vimos já era meio dia e você quis dormir.

Papai foi fazer o almoço e fez batata frita que você adora, um ovo com a gema mais molinha pra comer com arroz e você, Gabriela como uma adolescente de 1 ano e 10 meses que é, quis comer sozinha. Foram alguns minutos ali na tua cadeirinha, quando você tossiu e parou de respirar, falei com você, e você amoleceu na sua cadeira quando peguei no meu colo você não me olhava e desmaiada estava que começou a ficar rocha pois não respirava. vi que você estava engasgada te coloquei de bruços e apertei teu estômago na tentativa aliviar tuas vias aéreas, mas você não reagia e não se mexia mais estava muito roxa, e até pensei no meu intimo,"não gabi, você não pode partir agora". Mas na primeira respiração que fiz, você respondeu e colocou pra fora aquilo que te sufocava.

Sei que você chorou, e deitou e quis dormir, depois quis colo, e assim tão de repente você quis brincar e comer batata. Aí a mamãe chegou. Acho que ela ficou brava, e ainda falou que se você tivesse ido para a creche nada disso teria acontecido. Talvez eu seja um péssimo pai e deveria ter deixado você ir para escolinha como a gente faz todos os dias.

Mas fico pensando, e se tivesse acontecido lá, será que as professoras teriam agindo rápido? Será que elas não entrariam em pânico, será, igual a vez que você fez um quadro apinéia, e também quase matou tua mãe e tias do coração? Será que elas saberiam fazer as manobras para te salvar, aquelas que o papai aprendeu quando fez o curso de auxiliar de odontologia muitos antes de você existir?

Bom não tenho essas resposta mas, independentemente do que poderia ter acontecido, tudo ocorreu como deveria ter ocorrido, ali comigo do teu lado. Hoje lembro daqueles dias que morei em Porto Alegre, onde enfrentei chuva, frio, falta dinheiro, sem ter um lugar certo para morar, e dias de fome que passei, com uma única certeza de completar meu curso. Se eu soubesse que tudo aquilo era preciso enfrentar para poder salvar você, eu enfrentaria em dobro.
AMO VOCÊ MINHA FILHA."


Nota da mamãe: Sim, eu quase morri de susto. E não, eu não fiquei brava, mas muito assustada com o que tinha acontecido. Deixei a narrativa sem edição, bem como o papai escreveu, mesmo que cada vez que eu leia caia uma lágrima. Amo muito esses meus 'pequenos', e acho que não saberia viver sem nenhum deles. Graças a Deus não passou de um susto e eu não estava em casa, pois engasgaria junto!

13 outubro 2010

Sumiço!

Acabei de perceber que o bloguinho tá abandonado! Mas é por uma boa causa, tô na época de provas na faculdade, aí fica difícil conciliar tudo...
Acabamos por não viajar no feriado, mas curtimos e passeamos bastante, com idas à casa da 'bisa', do vô e do tio, provando mais uma vez que a Gabi ama a família que tem. Ela ganhou um piniquinho de uma das tias, e passou o tempo inteiro tirando a calça pra sentar nele, o que não significa que ela tenha, realmente, feito alguma coisa. Pelo jeito o desfralde vai esperar até as férias da mamãe.
Ainda estou devendo as fotos da última ida à casa da vó (paterna, que mora no interiorrrrr), mas ainda não vieram pro computador, mas prometo mostrar a Gabi sujinha de terra assim que der!

Bom, por hoje é só que ainda tenho um trabalho pra concluir e entregar (e apresentar) no sábado! Vou postar uma montagem da Gabi no fim de semana brincando na 'nova' casinha (ela descobriu que pode entrar embaixo da mesa e brincar muito ali).

Beijos!



P.S: mesmo atrasado, um feliz dia das crianças pra todos esses 'sobrinhos virtuais' que eu acompanho todos os dias!

02 outubro 2010

O por que eu amo

Acabei de receber o seguinte comentário no relato de parto:

"Bom dizem que eu sou o pai, atendendo a vários pedidos para postar no blog, hoje resolvi escrever algo. São exatamente 19:36 e ainda me lembro como fosse ontem que tudo isso aconteceu, cada detalhe esta bem vivo em minha mente, a suposta colorada Gabriela, nasceu já usando as cores do manto sagrado Azul, menina do sorriso maroto das perguntas pertinentes e das afirmações que tudo é dela.
O auau, miau, binter, emio, miã miã, e a principal palavra que ela gosto de pronunciar "não", coisa de criança. Hoje dona Gabriela é minha amiga, filha e fiel cúmplice nas artimanhas que inventamos, desde de cantar 'criança não trabalha' para eu me eximir de lavar a louça até 'Fome come fome come, Se vem de fora ela devora ela devora ela devora' e bate bate que vamos para à cozinha fazer algo. São quase dois anos que esse pequeno Grande ser esta no mundo, não vou prometer nada daquilo que eu não possa fazer, e continuarei sempre te amando Gabriela."


Preciso mesmo dizer mais alguma coisa? Te amo!!





P.S: em tempo, 'binter e emio' são inter e grêmio, uma das únicas 'disputas' que existem entre o papai e a mamãe da Gabriela.

21 setembro 2010

Luisa




Esses dias eu me senti a pessoa mais especial do mundo. Isso porque a Val, que é uma pessoa mega querida, me escolheu de 'doula virtual'. Passamos horas conversando pelo twitter, e eu deixei todo o meu trabalho de lado pra acompanha-la. Foram momentos muito especiais, a cada DM que ela mandava me contando as novidades eu dava um pulo na cadeira.
E chegou a hora da Luisa nascer... Na verdade ela não respeitou muito a vontade da mamãe de querer um PN, e mexeu na pressão dela e tiveram que fazer uma cesárea, mas nada que abalasse a nossa felicidade.
E Dona Luisa nasceu dia 15 de setembro de 2010, às 12:09 da tarde, pesando 3,065 kg e 47 cm, trazendo felicidade para titias reais e virtuais. E dessa vez eu quase caí da cadeira, literalmente.

Então era isso, essa pequetita nos trouxe muita felicidade e muitas alegrias, fazendo meu mês mais feliz. Deixo aqui uma música linda, que escutei a primeira vez quando do nascimento da minha irmã Luiza, mas que encaixa pra essa pequena também:

"Por ela é que eu faço bonito
Por ela é que eu faço o palhaço
Por ela é que saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepon

E quando ela está nos meus braços
As tristezas parecem banais
O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais

Por ela é que o show continua
Eu faço careta e trapaça
É pra ela que faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz"

14 setembro 2010

Relato de parto

Dando uma lida hoje no blog percebi que nunca postei um relato de parto aqui. Andei dando uma olhada nos meus 'escritos' e percebi que realmente eu não fiz! Então, aí vamos nós ao dia G:

Lembro de ter acordado na quarta feira 26 de Novembro de 2008 como em todos os outros dias, com uma festa dentro da barriga. A Gabi sempre acordou antes da mamãe aqui, e fazia A festa, principalmente se papai conversasse com ela. Lembro que eu tinha prova de Direito Penal na quinta feira, então estudei um pouco(não tinha aula na quarta, já havia passado naquela matéria), arrumei a casa e fiz almoço. Esse tempo todo eu sentia uma dorzinha nas costas, bem na parte da bacia, mas achava que tinha dormido mal ou que a barriga tava muito pesada, e nem dei muita bola. Coloquei minha inseparável legg de 'fim-de-gestação', blusa rosa e minha melissa favorita e fui trabalhar. Cheguei na Rejur(Representação Juridica da Caixa Federal), bati meu ponto e comecei a conversar com a Mari e o Mesa, dois colegas estagiários. Lembro nitidamente da Mari dizendo que a Gabi ia nascer logo pois meus pés tinham inchado. Ela não tinha idéia do quanto estava certa!
Trabalhei a tarde toda sentindo a dorzinha nas costas, e de vez em quando algumas cólicas. Mas eu tava tão confiante na contagem da médica (e achando estar de 36 semanas) que nem imaginei que eram contrações, no máximo as 'Braxton Hicks' (contrações de treinamento). Ainda sentindo a dorzinha encerrei o expediente às 6 da tarde, passei na sorveteria e fiz meu caminho para casa, 15 minutos de caminhada. Depois, subi os quatro andares do nosso prédio e cheguei em casa como todos os dias, cansada e com muito calor. Maridão já tinha chegado e me mandou deitar, que talvez melhorasse, ofereceu um remedinho pra dor, mas eu não quis(devia era ter aceitado, mas...).
Deitei e foi aí que eu percebi que sim, estava com contrações. Elas tinham um intervalo de 8 a 10 minutos, e começaram a ficar mais doloridas. E tinha a dor nas costas, minha inseparável companheira desde as 8 da manhã. Aí eu me apavorei e comecei a pensar se esperava a bolsa estourar ou corria pra maternidade(coisa de mãe de primeira e sem nenhuma experiência nessa parte logística).
Chamei o Paulo e disse que queria ir, nem que fosse pra ver se estava tudo bem. Pegamos as malinhas (arrumei a minha na hora, não tinha nem comprado um pijama decente, fui com os normais mesmo...) e fomos pro Hospital São Vicente de Paulo. Chegando lá, antes de internar, fui pro toque: 2 cm, bolsa intacta, colo amolecendo. Pedi pra ir pra casa, mas a platonista pediu pra mim esperar umas duas horas, faríamos novo exame e caso não houvesse progresso, poderia dormir em casa. Ali pelas 11 da noite novo exame, colo mais macio e mais um dedinho. Pedi alguma coisa pra comer, mas já tinha passado muito da janta, aí ganhei um bolo inglês, bolachinhas e suco de laranja. Lembro que cochilava entre as contrações enquanto o marido conversava com outro casal. Ali pela 1 da manhã, novo toque e mais evolução, 4 cm! Dra decidiu me mandar pro centro obstétrico, pois ali onde estávamos era muito movimentado. Maridão fez a internação e lá fomos nós, eu já lindona na camisolinha azul. Chegando no C.O duas enfermeiras mega queridas, e só nós lá. Elas me mostraram a sala de cirurgia, a sala de PN e onde eu ficaria, um pré e pós parto com bola suíça, massageadores, cadeira de cócoras e tudo mais. Tentei dormir um pouco, mas tava difícil. A cada contração pedia pro marido massagear as costas, o que mais doía. E olhava pro relógio, muitas e muitas vezes.
Às 4 am a médica veio de novo, e aí o toque foi punk, já que ficar deitada dóia 20 vezes mais do que em qualquer outra posição. Nessa hora acho que ela descolou um pouco, pois a dor aumentou e a bolsa estorou. Não foi uma enxurrada como eu esperava, pois a Gabi encaixou definitivamente nessa hora, e a médica disse que ela era bem cabeludinha, e de cabelinho preto!
Depois dessa eu pedi arrego e a médica me colocou no soro e me deu buscopan na veia. Que coisa maravilhosa! Não sentia mais a dor nas costas, mas as contrações continuavam. Dormia nos intervalos, aí acordava e via o marido capotado na cama do lado, com uma carinha de anjinho...
E assim amanheceu, e as 6 am eu estava com sete dedos. E aí começaram a chegar outras 'parturientes' no C.O, inclusive as césareas agendadas, mulheres maquiadas e de escova no cabelo. Nessa hora as enfermeiras pediram se eu queria tomar um banho quente pra ajudar, e eu topei na hora. A ducha era maravilhosa, murchei de tanto fica lá, e só saí porque era esquentada por caldeira e desligaram. Novo toque, 8 cm, 9 da manhã. Houve troca de plantão e agora eu estava com o Dr. Glênio, que me mandou de volta pro chuveiro ali pelas 10 am. Fui sorrindo, apoiada no marido e parando a cada contração, agora de 3 em 3 minutos.
E agora vem a melhor parte. Estava lá, embaixo d'agua, e começou a me dar uma vontade louca de fazer força. Sim, força de nº 2, de 'ir aos pés'. Falei pro marido e ele chamou a enfermeira, e quase nem deu tempo de me secar e chegar à sala de parto. Lembro que subi na cama eram 10:50, enquanto o Dr. Glênio se paramentava e falava do Internacional, que havia conquistado o título da Sulamericana a noite anterior. E ainda brincou que nossa menininha nasceria colorada(e acertou!).E aí eu falei que queria empurrar.
E ele me mandou fazer o que eu tivesse vontade, principalmente durante as contrações. E foi uma, duas, e eu perdi a conta... E aí eu senti o 'círculo de fogo'. Doeu, mas compensou. Gabriela nasceu ás 11.05 am, dez minutos após o primeiro 'empurrão'.
Foi anunciada, pesada e medida e veio pro colinho da mamãe, de toquinha e tudo. Pegou a mão do papai e nesse momento eu não sentia nada além de um amor imenso, que cresce cada vez mais, mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia.
E depois disso foi só festa ? Tive que levar três pontinhos de uma mini-episio (acredito que necessária), enquanto papai ficava com Gabi no colo e a levava pra recuperação junto comigo. Ficamos na sala pois não havia quartos(lotação máxima na virada da lua), e ali eu almocei ao lado da minha pequena. Aí papai foi junto pra tomar o primeiro banho, e depois ela mamou e mamou-mamou-mamou. Às três da tarde estávamos no quarto e na sexta feira, depois de 24 hrs do parto, enfim a alta.
E ali, na porta do hospital que eu conheço desde o meu nascimento, eu percebi que nada mais seria igual. Saímos naquele sol escaldante do meio dia de um final de Novembro com aquele serzinho indefeso e totalmente dependente nos braços e realmente nada mais foi igual nesses quase dois anos que estamos juntas!
Te amamos pequena, pra todo sempre!