Esses dias eu me senti a pessoa mais especial do mundo. Isso porque a Val, que é uma pessoa mega querida, me escolheu de 'doula virtual'. Passamos horas conversando pelo twitter, e eu deixei todo o meu trabalho de lado pra acompanha-la. Foram momentos muito especiais, a cada DM que ela mandava me contando as novidades eu dava um pulo na cadeira. E chegou a hora da Luisa nascer... Na verdade ela não respeitou muito a vontade da mamãe de querer um PN, e mexeu na pressão dela e tiveram que fazer uma cesárea, mas nada que abalasse a nossa felicidade. E Dona Luisa nasceu dia 15 de setembro de 2010, às 12:09 da tarde, pesando 3,065 kg e 47 cm, trazendo felicidade para titias reais e virtuais. E dessa vez eu quase caí da cadeira, literalmente.
Então era isso, essa pequetita nos trouxe muita felicidade e muitas alegrias, fazendo meu mês mais feliz. Deixo aqui uma música linda, que escutei a primeira vez quando do nascimento da minha irmã Luiza, mas que encaixa pra essa pequena também:
"Por ela é que eu faço bonito Por ela é que eu faço o palhaço Por ela é que saio do tom E me esqueço no tempo e no espaço Quase levito Faço sonhos de crepon
E quando ela está nos meus braços As tristezas parecem banais O meu coração aos pedaços Se remenda prum número a mais
Por ela é que o show continua Eu faço careta e trapaça É pra ela que faço cartaz É por ela que espanto de casa As sombras da rua Faço a lua Faço a brisa Pra Luisa dormir em paz"
Dando uma lida hoje no blog percebi que nunca postei um relato de parto aqui. Andei dando uma olhada nos meus 'escritos' e percebi que realmente eu não fiz! Então, aí vamos nós ao dia G:
Lembro de ter acordado na quarta feira 26 de Novembro de 2008 como em todos os outros dias, com uma festa dentro da barriga. A Gabi sempre acordou antes da mamãe aqui, e fazia A festa, principalmente se papai conversasse com ela. Lembro que eu tinha prova de Direito Penal na quinta feira, então estudei um pouco(não tinha aula na quarta, já havia passado naquela matéria), arrumei a casa e fiz almoço. Esse tempo todo eu sentia uma dorzinha nas costas, bem na parte da bacia, mas achava que tinha dormido mal ou que a barriga tava muito pesada, e nem dei muita bola. Coloquei minha inseparável legg de 'fim-de-gestação', blusa rosa e minha melissa favorita e fui trabalhar. Cheguei na Rejur(Representação Juridica da Caixa Federal), bati meu ponto e comecei a conversar com a Mari e o Mesa, dois colegas estagiários. Lembro nitidamente da Mari dizendo que a Gabi ia nascer logo pois meus pés tinham inchado. Ela não tinha idéia do quanto estava certa! Trabalhei a tarde toda sentindo a dorzinha nas costas, e de vez em quando algumas cólicas. Mas eu tava tão confiante na contagem da médica (e achando estar de 36 semanas) que nem imaginei que eram contrações, no máximo as 'BraxtonHicks' (contrações de treinamento). Ainda sentindo a dorzinha encerrei o expediente às 6 da tarde, passei na sorveteria e fiz meu caminho para casa, 15 minutos de caminhada. Depois, subi os quatro andares do nosso prédio e cheguei em casa como todos os dias, cansada e com muito calor. Maridão já tinha chegado e me mandou deitar, que talvez melhorasse, ofereceu um remedinho pra dor, mas eu não quis(devia era ter aceitado, mas...). Deitei e foi aí que eu percebi que sim, estava com contrações. Elas tinham um intervalo de 8 a 10 minutos, e começaram a ficar mais doloridas. E tinha a dor nas costas, minha inseparável companheira desde as 8 da manhã. Aí eu me apavorei e comecei a pensar se esperava a bolsa estourar ou corria pra maternidade(coisa de mãe de primeira e sem nenhuma experiência nessa parte logística). Chamei o Paulo e disse que queria ir, nem que fosse pra ver se estava tudo bem. Pegamos as malinhas (arrumei a minha na hora, não tinha nem comprado um pijama decente, fui com os normais mesmo...) e fomos pro Hospital São Vicente de Paulo. Chegando lá, antes de internar, fui pro toque: 2 cm, bolsa intacta, colo amolecendo. Pedi pra ir pra casa, mas a platonista pediu pra mim esperar umas duas horas, faríamos novo exame e caso não houvesse progresso, poderia dormir em casa. Ali pelas 11 da noite novo exame, colo mais macio e mais um dedinho. Pedi alguma coisa pra comer, mas já tinha passado muito da janta, aí ganhei um bolo inglês, bolachinhas e suco de laranja. Lembro que cochilava entre as contrações enquanto o marido conversava com outro casal. Ali pela 1 da manhã, novo toque e mais evolução, 4 cm! Dra decidiu me mandar pro centro obstétrico, pois ali onde estávamos era muito movimentado. Maridão fez a internação e lá fomos nós, eu já lindona na camisolinha azul. Chegando no C.O duas enfermeiras mega queridas, e só nós lá. Elas me mostraram a sala de cirurgia, a sala de PN e onde eu ficaria, um pré e pós parto com bola suíça, massageadores, cadeira de cócoras e tudo mais. Tentei dormir um pouco, mas tava difícil. A cada contração pedia pro marido massagear as costas, o que mais doía. E olhava pro relógio, muitas e muitas vezes. Às 4 am a médica veio de novo, e aí o toque foi punk, já que ficar deitada dóia 20 vezes mais do que em qualquer outra posição. Nessa hora acho que ela descolou um pouco, pois a dor aumentou e a bolsa estorou. Não foi uma enxurrada como eu esperava, pois a Gabi encaixou definitivamente nessa hora, e a médica disse que ela era bem cabeludinha, e de cabelinho preto! Depois dessa eu pedi arrego e a médica me colocou no soro e me deu buscopan na veia. Que coisa maravilhosa! Não sentia mais a dor nas costas, mas as contrações continuavam. Dormia nos intervalos, aí acordava e via o marido capotado na cama do lado, com uma carinha de anjinho... E assim amanheceu, e as 6 am eu estava com sete dedos. E aí começaram a chegar outras 'parturientes' no C.O, inclusive as césareas agendadas, mulheres maquiadas e de escova no cabelo. Nessa hora as enfermeiras pediram se eu queria tomar um banho quente pra ajudar, e eu topei na hora. A ducha era maravilhosa, murchei de tanto fica lá, e só saí porque era esquentada por caldeira e desligaram. Novo toque, 8 cm, 9 da manhã. Houve troca de plantão e agora eu estava com o Dr. Glênio, que me mandou de volta pro chuveiro ali pelas 10 am. Fui sorrindo, apoiada no marido e parando a cada contração, agora de 3 em 3 minutos. E agora vem a melhor parte. Estava lá, embaixo d'agua, e começou a me dar uma vontade louca de fazer força. Sim, força de nº 2, de 'ir aos pés'. Falei pro marido e ele chamou a enfermeira, e quase nem deu tempo de me secar e chegar à sala de parto. Lembro que subi na cama eram 10:50, enquanto o Dr. Glênio se paramentava e falava do Internacional, que havia conquistado o título da Sulamericana a noite anterior. E ainda brincou que nossa menininha nasceria colorada(e acertou!).E aí eu falei que queria empurrar. E ele me mandou fazer o que eu tivesse vontade, principalmente durante as contrações. E foi uma, duas, e eu perdi a conta... E aí eu senti o 'círculo de fogo'. Doeu, mas compensou. Gabriela nasceu ás 11.05 am, dez minutos após o primeiro 'empurrão'. Foi anunciada, pesada e medida e veio pro colinho da mamãe, de toquinha e tudo. Pegou a mão do papai e nesse momento eu não sentia nada além de um amor imenso, que cresce cada vez mais, mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia. E depois disso foi só festa né? Tive que levar três pontinhos de uma mini-episio (acredito que necessária), enquanto papai ficava com Gabi no colo e a levava pra recuperação junto comigo. Ficamos na sala pois não havia quartos(lotação máxima na virada da lua), e ali eu almocei ao lado da minha pequena. Aí papai foi junto pra tomar o primeiro banho, e depois ela mamou e mamou-mamou-mamou. Às três da tarde estávamos no quarto e na sexta feira, depois de 24 hrs do parto, enfim a alta. E ali, na porta do hospital que eu conheço desde o meu nascimento, eu percebi que nada mais seria igual. Saímos naquele sol escaldante do meio dia de um final de Novembro com aquele serzinho indefeso e totalmente dependente nos braços e realmente nada mais foi igual nesses quase dois anos que estamos juntas! Te amamos pequena, pra todo sempre!
Acabei de ler esse texto no blog da Lia e não poderia ter achado mais perfeito e pertinente...
Confesso que antes de ganhar a Gabi nunca teria pensado que alguém fazia cesárea por opção, escolhendo o dia e todas essas coisas. Pra mim nascer é natural e, portanto, deve ser feito dessa forma. A única ‘cirurgia para nascimento’ que havia presenciado havia sido da minha irmã, pois a mesma estava em sofrimento fetal e nasceu de 30 semanas...
Sei que para muitas isso é escolha, mas acho de um egoísmo imenso a escolha do nascimento por signo ou data comemorativa, sendo que essa escolha não é nossa e passa por fatores maiores e mais complexos do que podemos entender..
Nos dias de hoje, em que a saúde tem-se beneficiado de inúmeros avanços científicos e tecnológicos, com surgimento de técnicas cirúrgicas cada vez mais seguras, associadas a procedimentos anestésicos e antibióticos de última geração, é comum ouvirmos, não só de mulheres grávidas, mas também de pessoas da comunidade, a seguinte pergunta: Por que ter um parto normal?
Por que ter um parto normal? Se eu posso agendar uma cesareana no dia mais confortável para mim, minha família e meu médico, se posso inclusive consultar os astros e saber o dia de nascimento que trará maior sorte ao meu filho?
Por que ter um parto normal? E passar por um processo demorado, que não posso controlar, não posso prever, não posso me preparar de antemão?
Por que ter um parto normal? E passar horas sentindo dor, me sujar de sangue e líquido amniótico, expor meu corpo e minha vagina num processo tão anti-higiênico?
Por que ter um parto normal? E ter minha vagina alargada pela passagem do bebê, que pode até rasgar tecidos do meu períneo e depois ter que levar pontos no local?
Por que ter um parto normal? Para que ter um parto normal?
Porque o parto normal prepara a mulher para a maternidade. E a maternidade é imprevisível, é incontrolável. Ser mãe é se ver diante de situações para as quais a mulher não foi preparada, e nunca será.
O nascimento de um novo ser é um momento sagrado. A data marcada para sua chegada neste mundo é determinada por fatores ainda desconhecidos por nós, humanos controladores. Talvez nunca iremos saber, mas quais os efeitos da retirada de bebês do útero na hora marcada por seus pais, sem que eles tenham sinalizado que estavam prontos para nascer? Como será esta geração de pessoas que foram “nascidas artificialmente”?
Ao contrário do que muitos pensam, o parto normal pode ser um momento de extremo prazer e crescimento para a mulher, para o casal. Durante as contrações uterinas é liberado o hormônio do amor, a ocitocina, que também é liberado durante o orgasmo feminino. É durante o trabalho de parto que o útero se abre, e este é o único momento em que o útero se abre na vida da mulher, preparando-a para se abrir e se entregar à sua cria.
O parto normal é sim, doloroso, como doloroso é o processo de crescimento de uma mulher que atinge a maternidade plena. E, sabiamente, toda mulher encontra métodos de alívio para suas dores, suas angústias, seus medos. Assim, também, toda mulher encontra métodos de alívio para as dores do parto: posições confortáveis, banhos de imersão, de aspersão, massagens... pessoas.
As pessoas, amadas, escolhidas pela mulher para acompanhar seu crescimento e ajudá-la no enfrentamento das dores femininas, também estarão presentes no seu parto. Seu companheiro, sua melhor amiga, sua mãe. Assim, também, estará lá seu médico obstetra. Este ficará ao seu lado e interferirá somente se necessário.
Este é o parto humanizado: um parto respeitoso, em que a mulher é a protagonista do nascimento do seu filho. Em que a dor não é vista como doença, mas como uma marca do processo de crescimento da mulher, agora mãe.
Um parto em que obstetra e anestesiologista trabalham juntos para que a mulher tenha alívio farmacológico da dor, se assim ela desejar.
Um parto onde o pediatra assiste o recém-nascido sem invadir a privacidade da mãe e do bebê, respeitando este o momento único de reconhecimento dos dois, pele-a-pele, em cima do ventre materno.
Um parto que remete à espontaneidade da criança, à força da mulher, à ligação parental.
Em todo o mundo tenta-se diminuir as taxas de cesareana, que devem ser de 15%, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde. Nos países de primeiro mundo, em cada 10 mulheres, apenas uma tem cesareana. No Brasil, na rede privada, em cada 10 mulheres, 8 têm cesareana.
A cesareana desnecessária rouba da mulher o protagonismo do seu parto. E, se não bastasse, aumenta sua chance de ter várias complicações, como infecções, hemorragia e morte. A cesareana diminui o vínculo mãe-bebê e se associa com maior taxa de insucesso na amamentação. Bebês nascidos de cesareana têm maior risco de dificuldades respiratórias e internação em unidade neonatal.
Depois da primeira cesareana, a chance de ter um parto normal diminui.
Diante de tudo isto, surge, então, uma nova pergunta: Se hoje pode-se ter um parto respeitoso, com alívio da dor por métodos naturais ou com anestesia peridural, se pode-se ter privacidade e companhia de pessoas amadas, se pode-se escolher quais posições ficar no parto, se o parto normal tem tantos benefícios para as mulheres e para os bebês.... por que as mulheres ainda temem o parto normal?
Gente, a correria por aqui tá muito grande!
Além da pequena, ainda tenho um projeto de TCC* inacabado, uma amoreco dodoizinho e um estágio (eu e meu procurador estamos cuidando de 998 processos!). Ou seja, zero tempo! Por isso deixo hoje mais um textinho da história da Gabi, dessa vez escrito quando ela fez um aninho:
"27/11/2009, 11h05min AM.
Há exatamente um ano você estava nascendo minha filha... E sabe, eu ainda me lembro de tudo, até das coisas que seu papai falava pra mim, ali na sala de parto, um pouquinho antes de você nascer. Você veio ao mundo tão rápido, já nasceu apressada como é hoje. E era tão, mas tão pequeninha... A mamãe (e o papai) choraram de alegria quando te viram pela primeira vez... E desde aquele dia, você é a coisinha mais importante nas nossas vidas...
Hoje você faz um ano... Não entende essa coisa de parabéns, mas bate palminha e fica toda feliz porque sabe que é pra você... É linda, sapeca, muito inteligente e manhosa. Já sabe engatinhar e quer sair caminhando. Mas calma filha, você ainda tem só um aninho de vida, espera mais um pouquinho pra fugir do papai e da mamãe.
Sabe, passou muito, mas muito rápido esse ano com você em nossas vidas. A mamãe queria muito poder ficar mais tempo com você, mas a vida é assim mesmo... E mesmo que eu não esteja 24 horas por dia com você, cada minutinho que a gente ta junta é inesquecível e único...
Adoro o jeito que você nos acorda de manhã, de pezinho no berço e cantando... Amo ver você engatinhar pela casa, ligeira atrás de uma bolinha que fugiu... Acho a cena mais linda ver você e o papai brincando, você com aquele sorriso lindo no rosto, como se não houvesse nada melhor...
Pois é Gabi... Um ano se passou, e é só o primeiro. Amanhã a gente vai cantar parabéns, você vai assoprar as velinhas e bater palminhas... E quando a gente chegar em casa, depois da sua festinha, a mamãe vai chorar de felicidade, e rezar pro papai do céu agradecendo esse presentinho maravilhoso que ele nos mandou...
Obrigada filha, por tornar nossos dias muito mais iluminados!