Mostrando postagens com marcador gravidez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gravidez. Mostrar todas as postagens

14 setembro 2010

Relato de parto

Dando uma lida hoje no blog percebi que nunca postei um relato de parto aqui. Andei dando uma olhada nos meus 'escritos' e percebi que realmente eu não fiz! Então, aí vamos nós ao dia G:

Lembro de ter acordado na quarta feira 26 de Novembro de 2008 como em todos os outros dias, com uma festa dentro da barriga. A Gabi sempre acordou antes da mamãe aqui, e fazia A festa, principalmente se papai conversasse com ela. Lembro que eu tinha prova de Direito Penal na quinta feira, então estudei um pouco(não tinha aula na quarta, já havia passado naquela matéria), arrumei a casa e fiz almoço. Esse tempo todo eu sentia uma dorzinha nas costas, bem na parte da bacia, mas achava que tinha dormido mal ou que a barriga tava muito pesada, e nem dei muita bola. Coloquei minha inseparável legg de 'fim-de-gestação', blusa rosa e minha melissa favorita e fui trabalhar. Cheguei na Rejur(Representação Juridica da Caixa Federal), bati meu ponto e comecei a conversar com a Mari e o Mesa, dois colegas estagiários. Lembro nitidamente da Mari dizendo que a Gabi ia nascer logo pois meus pés tinham inchado. Ela não tinha idéia do quanto estava certa!
Trabalhei a tarde toda sentindo a dorzinha nas costas, e de vez em quando algumas cólicas. Mas eu tava tão confiante na contagem da médica (e achando estar de 36 semanas) que nem imaginei que eram contrações, no máximo as 'Braxton Hicks' (contrações de treinamento). Ainda sentindo a dorzinha encerrei o expediente às 6 da tarde, passei na sorveteria e fiz meu caminho para casa, 15 minutos de caminhada. Depois, subi os quatro andares do nosso prédio e cheguei em casa como todos os dias, cansada e com muito calor. Maridão já tinha chegado e me mandou deitar, que talvez melhorasse, ofereceu um remedinho pra dor, mas eu não quis(devia era ter aceitado, mas...).
Deitei e foi aí que eu percebi que sim, estava com contrações. Elas tinham um intervalo de 8 a 10 minutos, e começaram a ficar mais doloridas. E tinha a dor nas costas, minha inseparável companheira desde as 8 da manhã. Aí eu me apavorei e comecei a pensar se esperava a bolsa estourar ou corria pra maternidade(coisa de mãe de primeira e sem nenhuma experiência nessa parte logística).
Chamei o Paulo e disse que queria ir, nem que fosse pra ver se estava tudo bem. Pegamos as malinhas (arrumei a minha na hora, não tinha nem comprado um pijama decente, fui com os normais mesmo...) e fomos pro Hospital São Vicente de Paulo. Chegando lá, antes de internar, fui pro toque: 2 cm, bolsa intacta, colo amolecendo. Pedi pra ir pra casa, mas a platonista pediu pra mim esperar umas duas horas, faríamos novo exame e caso não houvesse progresso, poderia dormir em casa. Ali pelas 11 da noite novo exame, colo mais macio e mais um dedinho. Pedi alguma coisa pra comer, mas já tinha passado muito da janta, aí ganhei um bolo inglês, bolachinhas e suco de laranja. Lembro que cochilava entre as contrações enquanto o marido conversava com outro casal. Ali pela 1 da manhã, novo toque e mais evolução, 4 cm! Dra decidiu me mandar pro centro obstétrico, pois ali onde estávamos era muito movimentado. Maridão fez a internação e lá fomos nós, eu já lindona na camisolinha azul. Chegando no C.O duas enfermeiras mega queridas, e só nós lá. Elas me mostraram a sala de cirurgia, a sala de PN e onde eu ficaria, um pré e pós parto com bola suíça, massageadores, cadeira de cócoras e tudo mais. Tentei dormir um pouco, mas tava difícil. A cada contração pedia pro marido massagear as costas, o que mais doía. E olhava pro relógio, muitas e muitas vezes.
Às 4 am a médica veio de novo, e aí o toque foi punk, já que ficar deitada dóia 20 vezes mais do que em qualquer outra posição. Nessa hora acho que ela descolou um pouco, pois a dor aumentou e a bolsa estorou. Não foi uma enxurrada como eu esperava, pois a Gabi encaixou definitivamente nessa hora, e a médica disse que ela era bem cabeludinha, e de cabelinho preto!
Depois dessa eu pedi arrego e a médica me colocou no soro e me deu buscopan na veia. Que coisa maravilhosa! Não sentia mais a dor nas costas, mas as contrações continuavam. Dormia nos intervalos, aí acordava e via o marido capotado na cama do lado, com uma carinha de anjinho...
E assim amanheceu, e as 6 am eu estava com sete dedos. E aí começaram a chegar outras 'parturientes' no C.O, inclusive as césareas agendadas, mulheres maquiadas e de escova no cabelo. Nessa hora as enfermeiras pediram se eu queria tomar um banho quente pra ajudar, e eu topei na hora. A ducha era maravilhosa, murchei de tanto fica lá, e só saí porque era esquentada por caldeira e desligaram. Novo toque, 8 cm, 9 da manhã. Houve troca de plantão e agora eu estava com o Dr. Glênio, que me mandou de volta pro chuveiro ali pelas 10 am. Fui sorrindo, apoiada no marido e parando a cada contração, agora de 3 em 3 minutos.
E agora vem a melhor parte. Estava lá, embaixo d'agua, e começou a me dar uma vontade louca de fazer força. Sim, força de nº 2, de 'ir aos pés'. Falei pro marido e ele chamou a enfermeira, e quase nem deu tempo de me secar e chegar à sala de parto. Lembro que subi na cama eram 10:50, enquanto o Dr. Glênio se paramentava e falava do Internacional, que havia conquistado o título da Sulamericana a noite anterior. E ainda brincou que nossa menininha nasceria colorada(e acertou!).E aí eu falei que queria empurrar.
E ele me mandou fazer o que eu tivesse vontade, principalmente durante as contrações. E foi uma, duas, e eu perdi a conta... E aí eu senti o 'círculo de fogo'. Doeu, mas compensou. Gabriela nasceu ás 11.05 am, dez minutos após o primeiro 'empurrão'.
Foi anunciada, pesada e medida e veio pro colinho da mamãe, de toquinha e tudo. Pegou a mão do papai e nesse momento eu não sentia nada além de um amor imenso, que cresce cada vez mais, mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia.
E depois disso foi só festa ? Tive que levar três pontinhos de uma mini-episio (acredito que necessária), enquanto papai ficava com Gabi no colo e a levava pra recuperação junto comigo. Ficamos na sala pois não havia quartos(lotação máxima na virada da lua), e ali eu almocei ao lado da minha pequena. Aí papai foi junto pra tomar o primeiro banho, e depois ela mamou e mamou-mamou-mamou. Às três da tarde estávamos no quarto e na sexta feira, depois de 24 hrs do parto, enfim a alta.
E ali, na porta do hospital que eu conheço desde o meu nascimento, eu percebi que nada mais seria igual. Saímos naquele sol escaldante do meio dia de um final de Novembro com aquele serzinho indefeso e totalmente dependente nos braços e realmente nada mais foi igual nesses quase dois anos que estamos juntas!
Te amamos pequena, pra todo sempre!

23 julho 2010

Entre nascer e bem nascer...

Acabei de ler esse texto no blog da Lia e não poderia ter achado mais perfeito e pertinente...

Confesso que antes de ganhar a Gabi nunca teria pensado que alguém fazia cesárea por opção, escolhendo o dia e todas essas coisas. Pra mim nascer é natural e, portanto, deve ser feito dessa forma. A única ‘cirurgia para nascimento’ que havia presenciado havia sido da minha irmã, pois a mesma estava em sofrimento fetal e nasceu de 30 semanas...

Sei que para muitas isso é escolha, mas acho de um egoísmo imenso a escolha do nascimento por signo ou data comemorativa, sendo que essa escolha não é nossa e passa por fatores maiores e mais complexos do que podemos entender..

Enfim, fica o belíssimo texto retirado do site do Núcleo Bem Nascer:

POR QUE TER UM PARTO NORMAL?

Uma reflexão sobre o nascimento nos nossos dias

Nos dias de hoje, em que a saúde tem-se beneficiado de inúmeros avanços científicos e tecnológicos, com surgimento de técnicas cirúrgicas cada vez mais seguras, associadas a procedimentos anestésicos e antibióticos de última geração, é comum ouvirmos, não só de mulheres grávidas, mas também de pessoas da comunidade, a seguinte pergunta: Por que ter um parto normal?

Por que ter um parto normal? Se eu posso agendar uma cesareana no dia mais confortável para mim, minha família e meu médico, se posso inclusive consultar os astros e saber o dia de nascimento que trará maior sorte ao meu filho?

Por que ter um parto normal? E passar por um processo demorado, que não posso controlar, não posso prever, não posso me preparar de antemão?

Por que ter um parto normal? E passar horas sentindo dor, me sujar de sangue e líquido amniótico, expor meu corpo e minha vagina num processo tão anti-higiênico?

Por que ter um parto normal? E ter minha vagina alargada pela passagem do bebê, que pode até rasgar tecidos do meu períneo e depois ter que levar pontos no local?

Por que ter um parto normal? Para que ter um parto normal?


Porque o parto normal prepara a mulher para a maternidade. E a maternidade é imprevisível, é incontrolável. Ser mãe é se ver diante de situações para as quais a mulher não foi preparada, e nunca será.

O nascimento de um novo ser é um momento sagrado. A data marcada para sua chegada neste mundo é determinada por fatores ainda desconhecidos por nós, humanos controladores. Talvez nunca iremos saber, mas quais os efeitos da retirada de bebês do útero na hora marcada por seus pais, sem que eles tenham sinalizado que estavam prontos para nascer? Como será esta geração de pessoas que foram “nascidas artificialmente”?

Ao contrário do que muitos pensam, o parto normal pode ser um momento de extremo prazer e crescimento para a mulher, para o casal. Durante as contrações uterinas é liberado o hormônio do amor, a ocitocina, que também é liberado durante o orgasmo feminino. É durante o trabalho de parto que o útero se abre, e este é o único momento em que o útero se abre na vida da mulher, preparando-a para se abrir e se entregar à sua cria.

O parto normal é sim, doloroso, como doloroso é o processo de crescimento de uma mulher que atinge a maternidade plena. E, sabiamente, toda mulher encontra métodos de alívio para suas dores, suas angústias, seus medos. Assim, também, toda mulher encontra métodos de alívio para as dores do parto: posições confortáveis, banhos de imersão, de aspersão, massagens... pessoas.

As pessoas, amadas, escolhidas pela mulher para acompanhar seu crescimento e ajudá-la no enfrentamento das dores femininas, também estarão presentes no seu parto. Seu companheiro, sua melhor amiga, sua mãe. Assim, também, estará lá seu médico obstetra. Este ficará ao seu lado e interferirá somente se necessário.

Este é o parto humanizado: um parto respeitoso, em que a mulher é a protagonista do nascimento do seu filho. Em que a dor não é vista como doença, mas como uma marca do processo de crescimento da mulher, agora mãe.

Um parto em que obstetra e anestesiologista trabalham juntos para que a mulher tenha alívio farmacológico da dor, se assim ela desejar.

Um parto onde o pediatra assiste o recém-nascido sem invadir a privacidade da mãe e do bebê, respeitando este o momento único de reconhecimento dos dois, pele-a-pele, em cima do ventre materno.

Um parto que remete à espontaneidade da criança, à força da mulher, à ligação parental.

Em todo o mundo tenta-se diminuir as taxas de cesareana, que devem ser de 15%, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde. Nos países de primeiro mundo, em cada 10 mulheres, apenas uma tem cesareana. No Brasil, na rede privada, em cada 10 mulheres, 8 têm cesareana.

A cesareana desnecessária rouba da mulher o protagonismo do seu parto. E, se não bastasse, aumenta sua chance de ter várias complicações, como infecções, hemorragia e morte. A cesareana diminui o vínculo mãe-bebê e se associa com maior taxa de insucesso na amamentação. Bebês nascidos de cesareana têm maior risco de dificuldades respiratórias e internação em unidade neonatal.

Depois da primeira cesareana, a chance de ter um parto normal diminui.

Diante de tudo isto, surge, então, uma nova pergunta: Se hoje pode-se ter um parto respeitoso, com alívio da dor por métodos naturais ou com anestesia peridural, se pode-se ter privacidade e companhia de pessoas amadas, se pode-se escolher quais posições ficar no parto, se o parto normal tem tantos benefícios para as mulheres e para os bebês.... por que as mulheres ainda temem o parto normal?

Dra. Quésia Tamara M.F.Villamil
Visite nosso site: www.nucleobemnascer.com.br
Twitter: http://twitter.com/nucleobemnascer


"Para mudar o mundo há que se mudar a forma de nascer" Michel Odent

13 maio 2010

Começando...

Pois bem, me rendi ao universo dos blogs... Já me considero uma 'mamãe blogueira' como diz a Roberta, então decidi publicar neste espacinho algumas ideias, histórias e peraltices da Gabriela, hoje com 1 ano e 5 meses.

Bom, pra começar vou colocar aqui um textinho que escrevi antes da Gabi nascer, antes de conhecer os blogs que conheço e de ler tanta coisa legal. Salvei várias coisas em uma pasta chamada "Para Gabriela", assim ela poderia ler tudinho quando crescesse. Aí vai:

"Agora falta pouco Gabriela... Em alguns dias, tu chegarás, prontinha. Seus pezinhos e mãozinhas de bebê, seus modos, seu barulho, seu silêncio e suas histórias ocuparão nossa vida inteira, tanto nosso passado quanto nosso futuro.

Certamente, minha filha, terá mais a ensinar do que a aprender, porque as crianças nascem prontas. Quem terá de aprender tudo somos nós, papai e mamãe de primeira viagem. E tenho planos para a gente. Os mais lindos e mais simples da vida. Vamos tomar banho de chuva nas tardes quentes de verão, contar estrelas, caminhar pela praia subir nas pedras. Eu e seu pai vamos virar crianças outra vez, cada vez que você nos chamar para brincar.

Sabe filha, o mundo aqui fora anda meio virado. Falta educação e solidariedade. Sobram superficialidades e preconceitos. Nenhuma diferença é respeitada, nem de religião, de opinião, e nem mesmo de time de futebol. Mas eu acredito na tua geração, de crianças sensíveis para a vida, ensinadas por nós. Quanta responsabilidade, hein? Mas posso te garantir que vamos fazer o nosso melhor pra deixar um mundo melhor pra você, e você como uma cidadã melhor para o mundo.

Tu verás que não é muito fácil crescer. É preciso paciência, força e uma ajuda divina (seja qual a divindade que tu escolhas, todas as crenças são válidas). Vai ser preciso passar por muitos obstáculos, sejam eles físicos ou de opiniões contrarias. Mas como diz o Amyr Klink, “a maior felicidade da vida está na silenciosa certeza que vale a pena viver”. E como vale Gabriela.

Uma coisa que terás que aprender também é que pessoas queridas também vão partir. Sejam de que idades forem, pois essa coisinha chamada ‘morte’ não tem muitos critérios não. Talvez o papai e a mamãe também partam antes do que a gente espera, mas podes ter certeza de que sempre haverá pessoas boas e dispostas a te ajudar, basta que você a mereça.

E hoje, enquanto tu te mexes aqui dentro, me pergunto o que vai mudar na nossa vida... E não tenho dúvida nenhuma que tua vinda será mais do que especial, será inesquecível, e nossa ‘mini-família’ nunca mais será a mesma.

Seja bem-vinda Gabriela!

Novembro/2008