16 maio 2010
Recapitulando
"Eram 11h05min do dia 27 de novembro quando você chegou. Te vi nascendo, abandonando aquela que foi tua casinha por 38 semanas e dois dias, e ouvi aquele choro, tão baixinho. O pediatra te pegou e anunciou “dois quilos novecentos e cinqüenta, com quarenta e seis centímetros e meio”. E nós ali, doidos pra ver teu rostinho, abraçados...
E aí você veio, toda enroladinha, com uma toquinha na cabeça, bem quietinha. E nos olhou, e aí, minha filha, o mundo parou. Tu conseguiste o quase impossível, me deixar sem palavras. Com tuas mãozinhas, agarrou o dedo do papai, que não sabia se ria ou chorava. E, naquele momento, filha, não havia felicidade maior do que estar ali, com vocês dois. Foi o momento mais inesquecível das nossas vidas.
E depois, enquanto você esperava teu primeiro banho, tão pequenina e frágil, e vi uma cena que também nunca vai sair da minha memória. Teu papai, ali, te olhando, virou bebê de novo e chorou de felicidade... Foi muito especial, ver aquele que tanto conversa contigo enquanto estavas “escondidinha”, mostrar todo o amor que ele sentia naquele momento.
Sabe Gabi, antes, eu nunca tinha ficado parada olhando alguém dormir, só pra não perder aquele momento. Eu não tinha idéia de como era amar alguém em tal intensidade. Mas, ali no hospital mesmo, a partir do momento em que tu foi colocada em meus braços, senti como se Deus tivesse instalado um chip da responsabilidade no meu cérebro e, em poucos dias, eu era doutora em cuidados maternos.
E, desde aquele dia, você tem me ensinado quase mais sobre a vida do aprendi em meus 20 anos. Desenvolvi a capacidade de observação, o estado de alerta constante, a paciência e o hábito de acordar com um sorriso lindo no rosto, a qualquer hora. Minha filha, você me ensinou a demorar menos no banho, a ser mais organizada e a observar qualquer coisinha diferente em você. Aprendi também que um filho ensina a observar mais as pessoas e potencializa o meu amor por aqueles que me cercam.
Por tua causa, meu anjinho, hoje meu amor pelo teu pai cresce cada dia mais. A cada fralda tua que ele troca, a cada beijo que ele te dá, eu percebo que não poderia haver ninguém melhor para me ajudar a criar o anjinho que aterrisou em nossas vidas.
Obrigada, minha filha, por me fazer descobrir quem que eu nem imaginava que era e por tudo o que eu ainda hei de aprender contigo."
Dezembro/2008
13 maio 2010
Começando...
Bom, pra começar vou colocar aqui um textinho que escrevi antes da Gabi nascer, antes de conhecer os blogs que conheço e de ler tanta coisa legal. Salvei várias coisas em uma pasta chamada "Para Gabriela", assim ela poderia ler tudinho quando crescesse. Aí vai:
"Agora falta pouco Gabriela... Em alguns dias, tu chegarás, prontinha. Seus pezinhos e mãozinhas de bebê, seus modos, seu barulho, seu silêncio e suas histórias ocuparão nossa vida inteira, tanto nosso passado quanto nosso futuro.
Certamente, minha filha, terá mais a ensinar do que a aprender, porque as crianças nascem prontas. Quem terá de aprender tudo somos nós, papai e mamãe de primeira viagem. E tenho planos para a gente. Os mais lindos e mais simples da vida. Vamos tomar banho de chuva nas tardes quentes de verão, contar estrelas, caminhar pela praia subir nas pedras. Eu e seu pai vamos virar crianças outra vez, cada vez que você nos chamar para brincar.
Sabe filha, o mundo aqui fora anda meio virado. Falta educação e solidariedade. Sobram superficialidades e preconceitos. Nenhuma diferença é respeitada, nem de religião, de opinião, e nem mesmo de time de futebol. Mas eu acredito na tua geração, de crianças sensíveis para a vida, ensinadas por nós. Quanta responsabilidade, hein? Mas posso te garantir que vamos fazer o nosso melhor pra deixar um mundo melhor pra você, e você como uma cidadã melhor para o mundo.
Tu verás que não é muito fácil crescer. É preciso paciência, força e uma ajuda divina (seja qual a divindade que tu escolhas, todas as crenças são válidas). Vai ser preciso passar por muitos obstáculos, sejam eles físicos ou de opiniões contrarias. Mas como diz o Amyr Klink, “a maior felicidade da vida está na silenciosa certeza que vale a pena viver”. E como vale Gabriela.
Uma coisa que terás que aprender também é que pessoas queridas também vão partir. Sejam de que idades forem, pois essa coisinha chamada ‘morte’ não tem muitos critérios não. Talvez o papai e a mamãe também partam antes do que a gente espera, mas podes ter certeza de que sempre haverá pessoas boas e dispostas a te ajudar, basta que você a mereça.
E hoje, enquanto tu te mexes aqui dentro, me pergunto o que vai mudar na nossa vida... E não tenho dúvida nenhuma que tua vinda será mais do que especial, será inesquecível, e nossa ‘mini-família’ nunca mais será a mesma.
Seja bem-vinda Gabriela!
Novembro/2008